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CUIDANDO DO CORPO E DO ESPÍRITO PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE

CUIDANDO DO CORPO E DO ESPÍRITO PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE
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Conhecimentos e práticas ancestrais, geralmente vistos como subjetivos, ganham cada vez mais respaldo da ciência e da medicina para seus resultados. Estudos já comprovam que a espiritualidade – não necessariamente ligada a uma religião -, por exemplo, tem efeitos positivos sobre quem passa por algum sofrimento, seja físico, emocional ou mental.

Embora os mecanismos de como os valores espirituais agem no organismo ainda sejam desconhecidos, profissionais da saúde já perceberam que a abordagem é válida. A Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive, reconheceu oficialmente e inseriu a espiritualidade em seu conceito de saúde.

No âmbito da pesquisa, os especialistas são rápidos em esclarecer que não se trabalha com religião. “Isso envolve dogmas, crenças, e religiosidade é quando a pessoa tem uma religião e incorpora isso dentro da vida dela. Espiritualidade é um guarda-chuva mais amplo, que agrega quem tem ou não uma crença, e são as emoções, sentimentos que norteiam nossa vida de relacionamento, conosco e com os outros, em casa e no trabalho”, explica Álvaro Avezum, diretor de Promoção e Pesquisa da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

 “A literatura [científica] mostra escalas de questionários que avaliam gratidão, disposição ao perdão e apontam que indivíduos que têm mais gratidão dentro da vida de relacionamento têm menor ocorrência de doença cardiovascular. Indivíduos com disposição a perdoar também”.

Já os sentimentos como raiva, ira, dificuldade em perdoar ou falta de gratidão têm uma ação contrária. “Você tem maior descarga de noradrenalina, de hormônios como cortisol [liberado em situação de estresse] e esses hormônios provocam uma reação inflamatória que altera a coagulação do sangue. [Se um coágulo se forma] dentro de uma artéria coronária, leva ao enfarte; se for no cérebro, leva ao acidente vascular cerebral (AVC)”, explica Avezum. Ele acrescenta que o excesso de adrenalina aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca, o que pode causar arritmia e morte súbita.

 

 

 

Em momento de raiva, o cortisol baixa a imunidade, propiciando o surgimento de condições que a pessoa já está predisposta a ter – o que pode variar de problemas no coração até gastrite, úlcera e desordens psicológicas. Embora seja normal ter esse tipo de sentimento, já que a raiva é uma emoção básica humana, é possível encará-la de forma positiva.

Cuidando do Corpo e do Espírito na Promoção da Saúde” foi o tema da Conferência Magna da abertura do 4º Congresso Nacional de Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG. O tema foi abordado pelo coordenador das Sessões de Espiritualidade e de Psiquiatria da Associação Mundial de Psiquiatria e da Associação Brasileira de Psiquiatria e do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Alexander Moreira.

De acordo com Alexander Moreira, pacientes, médicos e educadores reconhecem a importância da espiritualidade na saúde, entretanto, há uma lacuna entre o reconhecimento dessa importância e a real abordagem na prática clínica. “Vários estudos realizados no Brasil e no exterior mostram que a população reconhece isso como importante, os médicos também. Porém, apenas 10%, efetivamente, abordam o tema”, comentou. Ainda segundo o professor, a falta de treinamento, a não abordagem pelas instituições e a ausência de autores ou teorias desqualificam a experiência religiosa. “Várias pessoas não conhecem o conjunto robusto de evidências que existem”, avaliou.

Sobre os conceitos, Alexander explicou que a espiritualidade é a busca pessoal por questões fundamentais sobre a vida, significado e relação com o sagrado ou transcendente, o que pode ou não levar à formação de uma comunidade. E a religião é uma instituição com práticas e crenças, com o objetivo de aproximar do sagrado.

 

 

O professor também mostrou um panorama geral de como estão as pesquisas em relação à espiritualidade e saúde. Pesquisa realizada pela UFJF e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostrou que mais de 90% da população brasileira tem alguma religião e um terço frequenta grupo religioso, pelo menos, uma vez por semana.

“Vários estudos realizados no Brasil e no exterior mostram que a população reconhece isso como importante, os médicos também. Porém, apenas 10%, efetivamente, abordam o tema”, comentou Alexander Moreira.

Segundo Alexander, de um modo geral, pesquisas mostram que pessoas com maiores níveis de envolvimento em grupos religiosos, têm menores níveis de depressão, menos usos de álcool e outras drogas, menos taxas de suicídio, menor mortalidade e melhor qualidade de vida.

Como a maioria da população do Brasil e do mundo tem uma religiosidade ou espiritualidade, ela impacta na saúde do paciente. Alexander lembra que não se pode negar os aspectos físicos, biológicos, sociais ou psíquicos das pessoas. “A gente tem que parar com essa mania de separar, ou olhar a parte física ou a parte psíquica. Por que eu não posso olhar tudo isso? Ver as várias dimensões de um paciente com excelência, ao mesmo tempo? Este é o aspecto central”, questionou. Para o professor, enquanto profissional de saúde, é preciso valorizar o ser humano, o que auxilia a pessoa a ser melhor, saudável e mais plena.

 

 

Várias associações médicas do mundo têm recomendado uma avaliação abrangente e a religiosidade é um tema que os pacientes desejam que seja abordado. A Associação Mundial de Psiquiatria publicou, no ano passado, uma declaração formal sobre a importância de se levar em consideração a espiritualidade dos pacientes, ou seja, é dever ético do profissional saber o que impacta essa pessoa.

De acordo com o professor, há evidências que conhecer a influência espiritual e perguntar ao paciente se ele tem alguma religiosidade pode impactar na saúde desta pessoa e aumentar a sua qualidade de vida. Como exemplo de modos de avaliação, ele citou o questionário FICA, que pode ser aplicado em pacientes. F de Fé, para saber se a pessoa tem alguma fé ou crença. I de Importância, da importância que a religiosidade tem para o paciente. C de Comunidade, para saber se a pessoa faz parte de alguma comunidade ou grupo religioso. A de abordar, como a pessoa gostaria de abordar o tema em seu tratamento. “Não pode querer converter o paciente ou negligenciar, ignorar ou desqualificar a vivência dele. Já se sabe que isso importa para a maioria, impacto na saúde física e mental. Pode ser positivo ou negativo, mas pode compreender sua mente”, argumentou.

Para Alexander, o momento é para entender as origens e significados dessas vivências espirituais e expandir e avançar na discussão sobre o tema. A mesa foi presidida pelo coordenador do Eixo Transversal – Práticas Integrativas e Complementares: Saúde e Espiritualidade e professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade, Rubens Tavares.

 

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